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Oncologia/ Geriatria
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Cirurgia de tecidos moles

A Cirurgia de tecidos moles é uma disciplina variada e inclui a maioria dos procedimentos cirúrgicos que não estão sob a competência da cirurgia ortpédica. As áreas cobertas incluem as orelhas, nariz e garganta, cirurgia cardiotoráxica, hepática , gastrointestinal, urogenital e reprodutiva, reconstrutiva da pele e cirurgia oncológica.

Síndrome Respiratório Obstrutivo dos Braquicéfalos

O Síndrome Respiratório Obstrutivo dos Braquicéfalos é a designação generalista para um número de anomalias anatómicas observadas em cães, com crânio e nariz curto, tais como Bulldogs Ingleses e Bulldogs Franceses.
Enquanto a estrutura óssea que forma o crânio, nariz e mandíbula é mais curta nestes cães, o mesmo não acontece com os tecidos moles que os preenchem, que se encontram comprimidos para caber num espaço mais pequeno. Isto faz com que a passagem do ar através das vias aéreas superiores(nariz e garganta) e na traqueia, seja muito mais difícil, uma vez que há um espaço mais estreito para atravessar.
As anomalias são divididas em primárias, quando se desenvolvem numa idade jovem e são a causa inicial do problema, e secundárias, as que ocorrem secundariamente ao esforço respiratório crónico, necessário para manter o fluxo de ar.

As principais anomalias primárias são, o estreitamento das narinas, o palato mole demasiado longo e espessado, e excesso de tecidos em redor da garganta.

As anomalias secundárias são consequência do esforço respiratório durante um longo período da vida do animal e resultam em alterações na cartilagem da laringe (colapso da laringe). Estas alterações são irreversíveis e provocam dificuldades respiratórias severas.

Os cães com síndrome respiratório obstrutivo significativo, têm mais dificuldade em respirar, poderão ter dificuldades no exercício e ou a dormir, e em último caso poderão desenvolver problemas respiratórios fatais.
Estes problemas tendem a agravar-se com a idade, secundariamente a outros problemas ou com o aumento do peso. Uma vez que o colapso da laringe é irreversível, é sempre preferível atrasar ou prevenir a sua evolução.
A correção cirúrgica prematura das anomalias primárias pode abrandar ou prevenir a progressão do colapso laríngeo secundário, melhorando ou estabilizando as dificuldades respiratórias existentes. Isto reduz o risco de problemas graves, que podem pôr em risco a vida da maioria dos cães, e evita a necessidade de cirurgias futuras.

Dilatação e Torção do Estômago

A dilatação e torção gástrica é uma emergência veterinária de progressão rápida, e que é fatal se não for tratada atempadamente.

É uma condição frequentemente associada a raças de cães grandes e gigantes (Great Danes, Weimaraners, St. Bernards, Irish setters, e Gordon setters), e à ingestão de grandes quantidades de alimento, que provoca a dilatação do estômago devido à presença da comida e gás. São ainda factores associados, cães com peito profundo, cães velhos e cães alimentados uma vez por dia.

Chega a um ponto em que o animal não consegue expelir o conteúdo gástrico, nem através do vómito, nem através do avanço para o intestino. À medida que o estômago se expande e dilata, a pressão no estômago começa a aumentar.

O aumento da pressão e tamanho do estômago tem várias consequências, nomeadamente, o impedimento do retorno do sangue dos orgãos abdominais para o coração, diminuição da irrigação sanguínea da parede do estômago, eventual ruptura do estômago e aumento da pressão no diafragma, que impede a expansão da caixa torácica e consequente diminuição da expansão pulmonar, originando dificuldades respiratórias (animais apresentam uma respiração curta e rápida).
Todo o corpo sofre devido à pobre oxigenação, levando à morte celular em muitos tecidos. Adicionalmente, o estômago pode dilatar ao ponto de rodar no abdómen, condição que se chama “volvulus” ou simplesmente “torção”. Nesta fase, a maioria dos animais já se encontra em estado de choque, devido aos efeitos prejudiciais no corpo todo.
O tratamento da dilatação/torção gástrica, passa pela estabilização do animal, descompressão do estômago, e cirurgia para recolocar o estômago na posição normal, de maneira permanente (Gastropexia). Os outros orgãos abdominais, são avaliados e tratados adequadamente, se necessário, durante a cirurgia.

A realização de radiografias abdominais é normalmente suficiente para confirmar o diagnóstico e um Electrocardiograma, é realizado para avaliar a existência de arritmias cardíacas, que são comuns na fase mais avançada deste problema.

 

Tratamento e cirurgia

A estabilização do animal é imprescindível e frequentemente começa com fluidos intravenosos e oxigenoterapia. Segue-se a descompressão gástrica, que inclui a passagem de um tubo através do esófago até ao estômago, para libertar a acumulação de ar e fluidos, seguida de lavagem gástrica, para remover as partículas de comida. Em alguns casos é necessária a colocação de um catéter no estômago, pelo exterior, para libertar algum ar, diminuir a pressão, e facilitar a entrada e passagem do tubo.

O procedimento cirúrgico envolve a exploração completa do abdómen e o reposicionamento do estômago. A viabilidade da parede do estômago, do baço, mas também de outros orgãos, é avaliada. Por vezes é necessária a remoção de parte da perde gástrica e/ou remoção total do baço (esplenectomia).
Uma vez recolocado o estômago na posição normal, este é permanentemente fixado à parede abdominal (gastropexia). O objectivo deste procedimento é prevenir a rotação, caso a dilatação gástrica aconteça novamente.

Prognóstico e cuidados pós cirúrgicos

A maioria dos animais fica hospitalizado, para avaliação de arritmias cardíacas e outras complicações, e durante este período, ser-lhe-ão administrados fluidos electrolíticos, por via intravenosa.
Os cuidados pós-operatórios imediatos passam pela restrição de exercício durante algumas semanas, para permitir uma boa cicatrização.
A longo prazo, é muito importante que a alimentação seja dividida em várias refeições pequenas ao longo do dia (2-3), em vez de apenas uma refeição, e a contínua monitorização para a recorrência da dilatação.
As taxas de mortalidade reportadas, em casos de dilatação e torção, são de aproximadamente 15%. No entanto, a taxa da mortalidade e das complicações, aumenta exponencialmente com a severidade da doença e com o aumento do tempo em que se inicia o tratamento. A presença de sinais clínicos durante mais do que 6 horas, arritmias cardíacas antes da cirurgia, a necessidade de remoção de uma parte do estômago, devido a isquémia (perda de irrigação sanguínea) e a necessidade de remover o baço, são factores que levam ao aumento das taxas de mortalidade e/ou complicações pós cirúrgicas.
A anestesia geral continua a ser o factor de maior risco, para os animais com dilatação/torção gástrica. A morte pode ocorrer antes, durante, ou após a cirurgia, devido a esta condição grave.
Como medida preventiva, a gastropexia profiláctica é frequentemente recomendada, em raças de risco, ou que já desenvolveram dilatação gástrica mas não foram operados. A gastropexia preventiva pode ser realizada ao mesmo tempo que a cirurgia para esterilização, seja de machos ou de fêmeas.

Esterilização ou castração

A esterilização das fêmeas ou a castração dos machos, é um dos cuidados de saúde mais responsáveis, que os donos de cães ou gatos podem ter com os seus animais de estimação. No entanto é normal que surjam muitas questões sobre estes procedimentos cirúrgicos, desde os riscos envolvidos, até aos cuidados pós operatórios.
Aquando da esterilização da fêmea, seja cadela ou gata, os ovários e o útero são removidos. A esterilização torna cadela incapaz de reproduzir e elimina também o aparecimento do cio. Tipicamente, o comportamento relacionado com o instinto reprodutivo desaparece, ainda que isto não seja verdade para todas as cadelas.
O procedimento é também conhecido como ovario-histerectomia (em que o útero e ovários são removidos) ou ovariectomia (em que apenas os ovários são removidos). Ambas as cirurgias são igualmente seguras e efectivas.
Aquando da castração do cão, ambos os testículos e as estruturas associadas são removidas. Este procedimento é também conhecido como orquiectomia. A castração torna o macho incapaz de reproduzir, e na maioria dos casos reduz os comportamentos relacionados com o instinto reprodutivo, dependendo nomeadamente da idade do animal em que o procedimento é realizado.
Estes procedimentos cirúrgicos têm também benefícios específicos na saúde dos animais, permitindo-lhes viver uma vida mais longa e saudável, e podem também reduzir problemas comportamentais.
A esterilização das cadelas previne problemas de saúde sérios, nomeadamente tumores mamários e piómetras, uma infecção uterina potencialmente fatal.
A castração dos machos evita o desenvolvimento de cancro testicular. Os cães castrados tornam-se menos agressivos e com menos probabilidades de fugir de casa, o que reduz as lutas e os atropelamentos.

A esterilização e a castração são cirurgias comuns, de rotina, no entanto existe sempre algum risco envolvido em animais submetidos a cirurgia sob anestesia geral.
Todos os animais são submetidos a um exame clínico completo para garantir que estão saudáveis. São realizadas análises sanguíneas, para assegurar de que nenhum animal tem problemas de saúde subjacentes. Qualquer problema de fígado, rins ou cardíaco será posteriormente investigado e tratado.

Recuperação pós operatória da esterilização e castração

Um factor muito importante para uma rápida recuperação, é manter o seu animal confortável e suficientemente enérgico. Como tal, ser-lhe-ão prescritos anti-inflamatórios e analgésicos.
Mantenha o seu animal em casa e protegido de outros animais, durante o período de recuperação.
Não o deixe correr ou saltar por um período aproximado de duas semanas após a cirurgia.
Assegure-se de que o seu animal não é capaz de lamber a sutura, seja através da utilização de um colar/funil, ou através de outro método eficaz, como por exemplo a utilização de roupas de proteção.
Verifique a sutura todos os dias, assegurando-se de que está a cicatrizar correctamente. Se verificar vermelhidão, inchaço, descarga ou algum odor estranho, por favor contacte-nos imediatamente.
Não dê banho ao seu animal por um período de pelo menos 10 dias após a cirurgia.
Contacte-nos de imediato se o seu animal estiver desconfortável, letárgico, com falta de apetite, ou se estiver a vomitar e/ou tiver diarreia.

Mitos e desinformação relativamente à esterilização/castração

Um dos mitos mais populares é o de que os animais irão engordar após a cirurgia. Não é verdade, desde que os donos providenciem a quantidade correcta de exercício, bem como a quantidade adequada de alimento.
Os cães e gatos tendem a precisar de menos calorias depois de esterilizados (cerca de 20% menos), mas uma mudança apropriada da dieta, bem como exercício regular, irá evitar o aumento do peso.

A esterilização ou castração, do seu animal. Se alguma coisa se alterar, será a diminuição dos comportamentos indesejados, tais como a marcação de território dentro de casa.

Cirurgia oncológica

A cirurgia é frequentemente a opção preferível para o controlo da neoplasias ou cancro localizados.
A remoção cirúrgica, bem sucedida, de uma cancro localizado, pode ser a melhor solução de tratamento para estes pacientes oncológicos, assegurando-lhes uma melhoria significativa da qualidade de vida.

Existem várias razões para optar pelo tratamento cirúrgico.

A primeira razão, é a obtenção de tecido para diagnóstico. Neste caso, a cirurgia é utilizada para obtenção de tecido para biópsia. O tecido recolhido é examinado por 

histopatologistas, de modo a que se possa fazer o diagnóstico mais exacto, e se opte pelo protocolo de tratamento mais indicado.

A segunda razão, é a . Neste caso, o objectivo do cirurgião é remover o tumor ou tumores, com margens de segurança, sem deixar ficar tecido ou células tumorais. Poderá ser necessário a realização de radioterapia ou quimioterapia, após a remoção do tumor.

A terceira estratégia, é a cirurgia para redução do tamanho do tumor. Esta opção está indicada quando a remoção completa não é possível, devido às consequências inaceitáveis. O objectivo é a diminuição do tamanho do tumor, para melhorar a resposta a outros tratamentos, como a radioterapia ou a quimioterapia.

A quarta razão, é a cirurgia é por razões paliativas. Neste caso, o propósito da cirurgia é a melhoria da qualidade de vida do paciente. No entanto, e apesar de melhorarem a qualidade de vida, não aumentam necessariamente o tempo de vida do paciente.

Casos clínicos

 

Cirurgia reconstrutiva de pavilhão auricular, após trauma por mordida de outro cão

 

Cirurgia abdomnial (laparotomia e enterotomia) para remoção de corpo estranho (arame) do interior do intestino.

Cistotomia (cirurgia de bexiga) para remoção de cálculos urinários.

 

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